Pesquisa em torno de movimentos, artistas e designers que obtiveram produções abstraídas da natureza. Designers e artistas incorporam na produção de seus trabalhos, formas que são abstraídas da natureza, pode-se dizer que essa prática não teve início recente, mas ganhou mais forças no princípio do século XX, quando movimentos artísticos impulsionaram estudos em torno desta modalidade de criação. Aspectos teóricos e práticos devem ser levados em conta na concepção de trabalhos nas áreas já mencionadas, portanto torna-se importante a análise desses aspectos ou processos , uma vez que o estudo em torno desses processos nos ajudam num melhor entendimento sobre como essas produções se inserem no cenário americano e no mundo.
Constantin Brancusi (1876 -1957)
Filho de pais camponeses, Constantin Brancusi não freqüentou uma escola. Aos 7 anos, foi pastor de ovelhas e nessa época aprendeu a esculpir e fazer trabalhos em madeira. Mais tarde tornou-se excelente escultor com vários materiais, como pedra e bronze. Reuniu as mais diversas influências: o cubismo, a arte popular romena, a escultura antiga e a arte tribal africana entre outras inspirações. Assim, foi se afastando do seu ídolo original, o francês Auguste Rodin, encontrou um estilo próprio na abstração extrema e na redução de seu trabalho às formas que considerava orgânicas. Para Brancusi, a forma ideal era a do ovo... Em 1906 fez sua primeira exposição, no Salão da Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Paris. Em 1937 voltou a seu país para expor num parque de Tirgu Jiu a Coluna Infinita e outras esculturas de sua autoria. São famosas suas representações ou abstrações de aves... Grande escultor moderno este artista foi exímio na arte de abstração com temas e formas retirados da natureza, reduzia as formas ao cerne mais elementar.
Em busca de novos padrões
Já no final do século XIX, alguns artistas se incomodavam com os rumos tomados em áreas onde a arte tomava parte, rumos oferecidos em parte pela Revolução Industrial, a arquitetura em grande parte convertera-se em prédios de apartamentos, blocos de fábricas e edifícios públicos numa diversidade de estilos que careciam de qualquer relação com a finalidade do edifício. Argumentando essas insatisfações, GOMBRICH (1999: p. 535), "Homens como John Ruskin e Willian Morris sonhavam com uma reforma total das artes e ofícios, e com a substituição da medíocre produção em massa por um artesanato consciencioso e significativo. (...) A divulgação de tais críticas não tinha a menor possibilidade de abolir a produção industrial em massa, embora ajudasse as pessoas a abrir os olhos para os problemas que se haviam criado e a disseminar o gosto pelo autêntico e o genuíno, o simples e o caseiro". Ruskin e Morris ansiavam por uma nova arte, ou Art Nouveau, que foi desfraldada na década de 1890. Na busca por novos materiais e tipos de ornamentos os arquitetos passaram a utilizar o ferro, vidro e inspiração no oriente. Não demorou muito e essas buscas surtiram efeitos na produção de móveis e objetos que passaram a abandonar um pouco a simetria e a explorar curvas sinuosas que estão bastante presentes na natureza.
Integração da arte na indústria
Os aspectos discutidos até o momento ecoam e repercutem na Europa e no mundo e em 1919 cria-se a Bauhaus em Weimar - Alemanha, com o diretor Walter Gropius. A Bauhaus foi uma escola que o fundamento principal era restabelecer a harmonia entre as diferentes atividades de arte, entre todas as disciplinas artesanais e artísticas e torná-las inteiramente solidárias de uma concepção de construir, reintegrar arte e artesanato, arte e indústria, num mesmo movimento produtivo. Segundo AGRA (2004: p. 107), "Curiosamente, embora a Bauhaus seja considerada costumeiramente como o berço da arquitetura moderna, ela na verdade apenas lançou bases para o que anos mais tarde, ganharia nos Estados Unidos, a expressão Estilo Internacional. Melhor seria dizer que ela foi uma das principais origens do design moderno e do próprio método dos ensinos das artes, além de ser um ambiente bem pouco uniforme, com muitos ambientes artísticos e ideológicos". Em 1923 Fecha a Bauhaus em Weimar, logo foi reaberta em Dessau, pequena localidade industrial, a uma hora de Berlim. Mais tarde alguns integrantes da Bauhaus emigraram para os Estados Unidos, dentre eles Lázlo Moholy-Nagy, que fundou em 1937, em Chicago, a New Bauhaus, que hoje subsiste com o nome de Institute of Design.
Abstração da natureza e bissociação no Design Americano
Projetar um objeto em potencial na sua função utilitária e agregar a ele uma função estética, na maioria das vezes representa o seu diferencial, a natureza é fonte inesgotável para este recurso, com isso o produto ganha uma atração bissociativa, conforme explica BAXTER (1998: p. 41), "Bissociação foi um termo inventado por Arthur Koestler par descrever a natureza do humor. Para ele, o humor é engraçado porque leva a um fim ridículo, inusitado ou absurdo, diferenciando-se do lugar comum. Ele conta a história de um homem que voltou repentinamente à casa e encontrou sua esposa abraçada apaixonadamente com o bispo. Ele se afastou silenciosamente, começou a andar pela rua e a abençoar todos os transeuntes. "O que você está fazendo aí na rua?", gritou a infiel esposa. " O bispo está me substituindo aí em casa e eu estou substituindo-o na rua". O comportamento esperado do marido seria o de enfrentar a sua esposa ou o bispo ou a ambos,com uma forte carga emocional e talvez um desfecho violento. Em vez dessa associação esperada , a história apresentou uma bissociação. O comportamento apresentado pelo marido poderia ser razoável e lógico numa outra situação mas, no contexto apresentado, soa como inesperado, ridículo e bem humorado. A bissociação, então, é a quebra de nossa expectativa de associação normal, sendo substituída pelo inusitado, surpresa ou choque." O espremedor de limão do designer francês Philipe Stark por exemplo nos chama a atenção pelo forte componente bissociativo, pois o seu corpo alongado e limpo, sustentado por três pernas longas e dobradas nos faz lembrar algum inseto exótico ou uma espaçonave extraterrestre. Contudo as ranhuras do seu corpo lembram um espremedor de limão convencional. Já no cenário podemos citar a cadeira tulipa , de Eero Saarinen, que se apropria das formas elementares desta flor para a criação de seu objeto. Outro exemplo de abstração da natureza na criação de design americano: Bird Chair de Henry Dreyfuss.
Bibliografia
BAXTER, Mike. Projeto de produto. São Paulo, Ed. Edgard Blücher Ltda, 1998.
AGRA, Lucio. História da arte do século XX : idéias e movimentos. São Paulo: Ed. Anhenbi Morumbi, 2004.
GOMBRICH, E. H. A história da arte. Rio de Janeiro, Editora LTC. 1999.
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